ISSN 1831-5380
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10.5. Prefixos

10.5.1. Vocábulos com outros tipos de formação

Emprega-se o hífen:

a)
Nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido:
ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto
alcaide-mor, amor-perfeito, estado-maior, gato-pingado, guarda-noturno, todo-poderoso
cabo-verdiano, mato-grossense, norte-americano, pele-vermelha, porto-alegrense, sul-africano, vila-realense
belas-artes, livre-câmbio, má-criação
afro-asiático, afro-luso-brasileiro, luso-brasileiro
azul-escuro, verde-claro
económico-social
primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira
matéria-prima
conta-gotas, corta-mato, finca-pé, guarda-chuva, mata-borrão, troca-tintas
deve-haver, esconde-esconde, puxa-puxa, ruge-ruge, tem-tem
abaixo-assinado, a-propósito, bota-fora, joão-ninguém, sol-pôr
certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente:
girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, pontapé
deve utilizar-se o hífen em palavras formadas por justaposição, como: afro-americano, euro-mediterrânico, ibero-americano, luso-asiático. No entanto, não se emprega hífen em palavras formadas por prefixação: eurocético, eurodeputado, lusófono;
b)
Nos topónimos compostos iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo:
Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Idanha-a-Nova, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes
os outros topónimos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem hífen:
A da Beja, A dos Francos, América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc.
N.B.:
Os topónimos Guiné-BissauTimor-Leste são, contudo, exceções consagradas pelo uso.
c)
Nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento:
abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me-quer; andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, lesma-de-conchinha; bem-te-vi
N.B.:

Esta regra deve aplicar-se sempre que se refiram quaisquer seres vivos, incluindo fungos, como:

amanita-dos-césares, boleto-das-vinhas, tricoloma-de-são-jorge

Exemplos de locuções que designam espécies animais e vegetais em que se emprega o hífen, frequentes nos textos da responsabilidade da Comissão Europeia:

agriões-de-água grão-de-bico
alfaces-de-cordeiro olho-de-vidro-laranja
bicho-da-seda rabo-de-gato
cana-de-açúcar salmão-do-atlântico
castanhas-do-brasil salmão-do-danúbio
couve-de-bruxelas salmão-do-pacífico
cravo-da-índia solha-das-pedras
d)
Para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares e combinações históricas ou ocasionais de topónimos:
a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique, Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, o desafio Chaves-Académica
e)
Na ênclise e na tmese:
amá-lo, dá-se, deixa-o, partir-lhe; amá-lo-ei, enviar-lhe-emos
usa-se também o hífen nas ligações de formas pronominais enclíticas ao advérbio eis (eis-me, ei-lo) e ainda nas combinações de formas pronominais do tipo «no-lo», «vo-las», quando em próclise (por exemplo: esperamos que no-lo comprem).

Não se emprega o hífen:

a)
Nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver:
hei de, hás de, há de, heis de, hão de
b)
Salvo em casos consagrados pelo uso, nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais:
substantivas:
cabeça de motim, cão de guarda, criado de quarto, fim de semana, mão de obra, moço de recados, sala de jantar, sala de visitas
adjetivas:
cor de açafrão, cor de café com leite, cor de laranja, cor de tijolo, cor de vinho
N.B.:
Exemplos de locuções substantivas e/ou adjetivas em que não se emprega o hífen, frequentes nos textos da responsabilidade da Comissão Europeia:
água de colónia fim de semana
câmara de ar folha de flandres
caminho de ferro fora de estrada
chapéu de chuva mão de obra
chapéu de sol nota de rodapé
cor de laranja pé de página
cor de rosa pó de arroz
dia a dia  
pronominais:
cada um, ele próprio, nós mesmos, nós outros, quem quer que seja
adverbiais:
à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade (note-se o substantivo à-vontade), de mais (note-se demais, advérbio, conjunção, etc.), depois de amanhã, em cima, por isso
N.B.:
Mas «ao deus-dará» e «à queima-roupa».
prepositivas:
abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando de, debaixo de, enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a
conjuncionais:
a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que
c)
Em expressões latinas:
ad hoc, ex aequo
Última atualização: 6.9.2021
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