ISSN 1831-5380
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10.4.12. Hífen ou traço de união

O hífen serve para ligar, ocasionalmente, as partes de um vocábulo que se completa na linha seguinte e, fundamentalmente, para ligar vocábulos que, embora mantendo a sua independência fonética, se justapõem para formação de uma nova palavra (ver o ponto 10.5.1).

Coincidindo com mudança de linha, o hífen repete-se na abertura da linha seguinte (ver o ponto 10.2), para mostrar que esse elemento faz parte de um composto:

segunda-
-feira
salmão-do-
-atlântico
cabo-
-verdiano

As abreviaturas dos compostos mantêm o hífen do composto quando se abrevie com mais de uma letra:

sarj.-aj., ten.-cor., 2.ª-f., m.-q.-perfeito (mais-que-perfeito)

A base XVI do Acordo Ortográfico de 1990 introduz simplificações no uso do hífen nas formações por prefixação (ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e também por recomposição, isto é, nas formações com pseudoprefixos de origem grega ou latina (aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-, etc.).

(a)

O hífen emprega-se:

a)
Quando o segundo elemento da formação começa por «h» ou pela mesma vogal com que termina o prefixo ou pseudoprefixo:
anti-higiénico, circum-hospitalar, co-herdeiro, contra-harmónico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico; arqui-hipérbole, eletro-higrómetro, geo-história, neo-helénico, pan-helenismo, semi-hospitalar
anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno
não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos des-in- e nas quais o segundo elemento perdeu o «h» inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc. O mesmo se verifica com outros prefixos como re-trans- (por exemplo: reaver, transumano),
nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por «o»: coobrigação, coocupante, cooperação, cooperar, coordenar, etc. O mesmo se verifica com os prefixos re-pre- (por exemplo: reeleger, preexistir), mas não com o prefixo sobre- (por exemplo: sobre­-elevação);
b)
Quando o prefixo ou o falso prefixo termina em «m» ou «n» e o segundo elemento começa por vogal, «m», «n» ou «h»:
circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano, pan-europeu, pan-helénico, pan-mágico, pan-negritude
N.B.:
circumpolar, pambrasileirismo, pampsiquismo.
c)
Nas formações com os prefixos ciber-, hiper-, inter-super-, quando combinados com elementos iniciados por «r» e «h» (por exemplo: hiper­-rancoroso):
hiper-requintado, hiper-resistente, hiper-ridículo, hiper-rugoso, inter-racial, inter-radial, inter-regional, inter-relação, inter-resistente, super-realismo, super-realista, super-requintado, super-revista, hiper-humano, hiper-húmido, inter-hemisfério, super-homem, super-herói
d)
Nas formações com os prefixos ex-, sota-soto-, vice-vizo-; pós-, pré-pró-:
ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro­-ministro, ex-rei; sota-piloto, soto-mestre, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei; pós-escrito, pós-graduação, pós-tónico; pré-escolar, pré-natal; pró-africano, pró-europeu, pró-forma
e)
Nas formações com os prefixos ab-, ad-, ob-, sob-sub-, quando combinados com elementos iniciados por «r»:
ab-reação, ab-rogar, ad-renal, ob-reptício, sob-roda, sub-raça
f)
Nos compostos com bemmal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou «h»:
bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado
N.B.:

Bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante:

bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido (cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto)

Em muitos compostos, bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte:

benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.
g)
Nos compostos com os elementos além, aquém, recémsem:
além-Atlântico, além-fronteiras, além-mar; aquém-mar, aquém-Pirenéus, aquém-Tejo; recém-casado, recém-criado, recém-nascido; sem-cerimónia, sem-número, sem-vergonha
h)
Quando o segundo elemento da palavra é uma sigla, um nome próprio ou um nome comum com ortografia alheia às regras do português:
pró-UE, ex-URSS
anti-Dantas, anti-Kadhafi
N.B.:
Exemplos de palavras formadas por prefixação em que se emprega o hífen, frequentes nos textos da responsabilidade da Comissão Europeia:
inter-regional pan-europeu
inter-relação poli-insaturado
inter-relacionado sub-regional
micro-ondas sub-representado
mono-hidratado tri-hidratado
(b)

Não se emprega o hífen:

a)
Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por «r» ou «s», estas consoantes dobram-se:
antirreligioso, antissemita, biorritmo, biossatélite, contrarregra, contrassenha, cosseno, eletrossiderurgia, extrarregular, infrassom, microrradiografia, microssistema, minissaia
b)
Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen, como já sucede igualmente no vocabulário científico e técnico:
aeroespacial, agroindustrial, antiaéreo, autoaprendizagem, autoestrada, coeducação, extraescolar, hidroelétrico, plurianual, radioativo, termoeletricidade
N.B.:
Exemplos de palavras formadas por prefixação em que não se emprega o hífen, frequentes nos textos da responsabilidade da Comissão Europeia:
agroalimentar (antes: agro-alimentar) microcrédito
agroambiental (antes: agro-ambiental) microempresa
anteprojeto microprojeto
anticoncorrencial motosserra
antifraude multissetorial
autoavaliação (antes: auto-avaliação) oligoelemento
autofinanciamento (antes: auto-financiamento) optoeletrónico
biorresíduos ortoimagens
birregional paraestatal (antes: para-estatal)
cibersegurança semiacabado
codecisão (antes: co-decisão) semidiesel
cofinanciamento (antes: co-financiamento) semiduro
cogeração (antes: co-geração) seminatural
extracomunitário semivida
extrajudicial socioeconómico
extraquota subação
fotointerpretação subconta
infraestrutura (antes: infra-estrutura) subfornecimento
infravermelho subnacional
interserviços subsistema
intersetorial subtotal
intracomunitário subutilização
macroeconómico transetorial
(c)

Guia prático para o uso do hífen em palavras formadas por prefixação:

Utiliza-se o hífen nas seguintes circunstâncias

a)
O segundo elemento de formação começa por «h»:
super-homem
b)
O segundo elemento de formação começa por vogal idêntica à última vogal do prefixo:
contra-ataque, micro-ondas
c)
O prefixo termina com «r» e o segundo elemento começa com «r»:
hiper-resistente, super-realismo, inter-racial
d)
O prefixo é acentuado graficamente:
pós-guerra, pró-europeu
e)
O prefixo termina com «n», «m», «b», ou «d» e a sua aglutinação provoca a leitura indevida da palavra:
ab-rogar, circum-escolar, pan-europeu
f)
O prefixo é sota-, soto-, vice-, vizo-, grão-, grã- ou ex- (com sentido de anterioridade):
vice-cônsul, grão-vizir, ex-presidente
g)
O segundo elemento é um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla:
anti-trust, anti-Europa, mini-GPS

No entanto, a maioria das palavras formadas por prefixação é escrita sem hífen. É esse também o caso de prefixos átonos como «co-», «pre-», «pro-», «re-» ou verdadeiros prefixos como «in-», «des-», mesmo quando:

o segundo elemento de formação começa por «h» (que cai):
desabitado, inabilidade, reabilitação
o segundo elemento de formação começa por vogal idêntica à última vogal do prefixo:
cooperativa, preencher, proótico, reeleger
Última atualização: 30.4.2012
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