ISSN 1831-5380
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10.4.2. Vírgula

A vírgula indica uma pausa breve na leitura, com ligeira inflexão de voz, variando o seu emprego de autor para autor. No entanto, podemos considerar as seguintes regras sancionadas pelas gramáticas:

a) O predicado nunca deve ser separado do sujeito por uma vírgula:

«A graça de Girão não era a das anedotas: era a sua.» (Camilo C. Branco — Cancioneiro Alegre)

b) Nunca se separa por vírgula o verbo dos seus complementos:

«O dia de Páscoa era uma malhada para os padres.» (Aquilino Ribeiro — Terras do Demo)

c) O vocativo é sempre seguido de vírgula:

«Pai, eu quelo a tua olelha.» (Erico Veríssimo — Olhai os Lírios do Campo)

d) Os apostos ou continuados vão entre vírgulas:

«Aos tombos, apoiando a mão no chão a cada desequilíbrio, teimoso, roçando pelas paredes, subiu para o meio da vila.» (Manuel da Fonseca — «Névoa», Aldeia Nova)

e) As frases começadas por gerúndio ou particípio passado independente separam-se da oração seguinte por vírgula:

Começando a chover, o passeio não se realizou.
Dada a urgência, o filho foi logo operado.

f) O gerúndio dependente não é precedido de vírgula:

«O enfermo foi melhorando envolto nos olhares cariciosos de Felícia e em papas de linhaça.» (Camilo Castelo Branco — Eusébio Macário)

g) Separam-se por vírgulas todos os elementos de uma oração com natureza e valor funcional idênticos, não ligados por conjunção:

«O desordeiro provocou, insultou, maltratou quantos se aproximavam dele.» (Cândido de Figueiredo — Gramática Sintética da Língua Portuguesa)

h) Colocam-se entre vírgulas as palavras ou frases intercaladas:

«O Kurika, medroso mas deliciado, tremia. De vez em quando saltava nervosamente sobre as patas da frente, no mesmo lugar, ou escavava a areia.» (Henrique Galvão — Kurika)

i) Os advérbios simnão são seguidos de vírgula quando começam uma oração e se referem à anterior:

«— Sim, a isso na minha terra chama-se o raleiro da madrugada.» (Aquilino Ribeiro — Lápides Partidas)
«— Não, isso não faço eu.» (Aquilino Ribeiro — Lápides Partidas)

j) Antes do pronome relativo que, emprega-se a vírgula quando este introduz uma oração explicativa:

Morreram muitos soldados, que fariam falta para o prosseguimento da luta.

k) Conjunções como embora, mas, etc. seguem a regra anterior:

Sentia os olhos cansados, mas ainda acabou o livro.

l) O pronome quem, acompanhado de preposição, é precedido de vírgula:

«Entre os membros daquela lustrosa companhia distinguia-se por seu porte altivo o conde de Barcelos, D. João Afonso Telo, tio de D. Leonor, a quem nos diplomas dessa época se dá por excelência o nome de fiel conselheiro.» (A. Herculano — Lendas e Narrativas)

m) O elemento ora em início de fase é, geralmente, seguido de vírgula:

Ora, as coisas não se passaram bem assim!

n) Separam-se, na generalidade, por vírgulas as palavras aliás, contudo, enfim, isto é, pois, porém, talvez, todavia e outros elementos semelhantes:

«Os acontecimentos posteriores provaram, todavia, mais uma vez, quanto podem falhar as previsões humanas.» (A. Herculano — O Bobo)

o) A vírgula também serve para separar a designação de uma entidade ou de um lugar, quando se data um escrito:

Bruxelas, 1 de janeiro de 2012.

p) A vírgula emprega-se também para separar elementos de uma enumeração introduzidos por travessões ou por pontos:

As ações financiadas repartem-se da seguinte forma (em milhões de euros):
programas horizontais: 253,
abertura de programas comunitários: 3,
Phare «Democracia»: 11.
Última atualização: 11.6.2020
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